24/5/2010
No momento de decidir por uma cirurgia plástica, muitas pacientes chegam aos consultórios com fotos de Pamela Anderson, Gisele Bündchen, Britney Spears, Victoria Beckham, entre outras. A vontade de se parecer com outra pessoa é conhecida dos cirurgiões plásticos.
A Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (International Society of Aesthetic Plastic Surgery – ISAPS) fez uma sondagem com a seguinte pergunta aos cirurgiões plásticos: Que influência as pessoas famosas têm sobre as decisões tomadas pelos pacientes?.
O questionamento foi enviado a mais de 20 mil cirurgiões plásticos em 84 países. Solicitou-se que os profissionais conectassem nomes de pessoas famosas a 11 procedimentos populares para homens e mulheres. As respostas revelaram as preferências sobre o padrão de beleza feminino nos dias de hoje. Seios e lábios foram as principais categorias das escolhas femininas influenciadas por mulheres famosas, seguidos por nádegas, nariz e abdômen.
Algumas das categorias (fonte: ISAPS):
Seios - A mais mencionada foi Pamela Anderson, seguida pela modelo brasileira Gisele Bündchen, pela cantora pop americana Britney Spears e pela apresentadora brasileira Xuxa.
Lábios - Angelina Jolie foi a líder. A referência alternativa foi Julia Roberts.
Nádegas - A mais escolhida foi Jennifer Lopez.
Nariz - O nariz de Nicole Kidman foi o favorito.
Abdômen - A escolha preferencial entre as mulheres de todo o mundo foi Gisele Bündchen.
Além do padrão de beleza idealizado pelas mulheres, a sondagem da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética revela a necessidade urgente de mais investimentos em informação sobre os motivos que levam alguém a se submeter a uma cirurgia plástica, e conseqüentemente, como deve ser feita a escolha do cirurgião plástico.
Requisitos como formação, capacitação, experiência profissional e as afiliações de um cirurgião devem ser consideradas pelo paciente, para que este possa tomar decisões bem embasadas e saber exatamente o que esperar de uma cirurgia plástica.
“As comparações são usadas tanto para expressar o que os pacientes querem, quanto para o que eles não querem. A boca de Angelina Jolie, por exemplo. Muitas mulheres querem uma parecida com a da atriz, outras dizem logo de cara que não querem ficar igual a ela. Apesar das histórias serem curiosas, querer ficar igual a uma pessoa famosa pode revelar não um problema estético, mas de auto-estima”, diz o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.
De fato, os recursos para exibir-se linda e mais jovem são inúmeros e tentadores: dos tratamentos estéticos aos alongamentos capilares, passando pelo botox e cirurgias de pequeno, médio e grande porte. “É inegável que tudo isto traz satisfação, prazer, segurança, mas quando esse desejo se manifesta de uma forma exagerada e deturpada - como a vontade de se parecer com a artista X ou Y - é preciso se policiar”, alerta Ruben Penteado.
“Há uma teoria inconsciente de que ao se sentir bem fisicamente todos os problemas acabam. Isso é uma sensação ilusória. As angústias continuam e temos que lidar com elas, organizando nossas emoções. Quando a procura por uma aparência perfeita é desmedida, deixa de ser saudável para sinalizar um conflito interno grave”, defende o médico,
“São muitas as vozes contra a maciça disseminação de expectativas irreais sobre a cirurgia plástica, especialistas em ética denunciam a exposição dos pacientes e cultores da estética queixam-se da entronização de um modelo de beleza pasteurizado e exagerado. As pessoas submetidas a um grande número de intervenções de fato sofrem uma ‘plastificação’ facilmente identificável nos seios e dentes grandes demais, nas maçãs do rosto excessivamente ressaltadas e nos famosos lábios hiperinflados”, afirma Ruben Penteado.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica prepara um documento com novas normas de segurança para o paciente. Entre as principais mudanças estão a limitação de número de procedimentos em uma só cirurgia; a definição de exames a serem exigidos antes da operação; as restrições para a cirurgia em adolescentes e a especificação do tipo de anestesia para cada caso.
Fonte:
Medicina Integrada - www.medintegrada.com.br